Curioso saber que apesar de
serem tão responsáveis com a natureza, os surfistas muitas vezes não sabem que seu principal instrumento,
a prancha, é feita em um
processo extremamente poluente. O bloco (como ela é chamada antes de receber o acabamento), é feito de espuma endurecida de
poliuretano, um derivado de petróleo que
emite grandes quantidades de carbono na fabricação.
No acabamento, há um imenso desperdício de material que não é reaproveitado. O processo todo tem um impacto tão grande que a maior fábrica de blocos de poliuretano do mundo,
a americana Clark Foam, fechou as portas por não se adequar as
rígidas leis ambientais da Califórnia.
Mas alternativas começam a surgir, como a
e-board da Osklen e outras ainda mais interessantes. Boa ideia é a prancha da empresa brasileira
Agave Hunter, feita com a madeira do agave.
A prancha é feita com a madeira seca de plantas de
agave mortas, já que o tronco só aparece no final do ciclo de vida da planta.
O desempenho é equivalente ao das pranchas de poliuretano. Mesmo a prancha de agave sendo mais pesada,
a madeira tem melhor flutuabilidade.
E devido à alta resistência das fibras da madeira,
estas pranchas são praticamente inquebráveis. Outro destaque é a durabilidade: enquanto uma prancha comum dura em média 2
anos de uso constante, uma prancha de madeira pode durar
mais de uma década. E os
resíduos da fabricação são totalmente
biodegradáveis.
A
técnica de produção de pranchas de agave foi
trazida para o Brasil pelo oceanógrafo e surfista
Marcelo Ulysséa, que se apaixonou pelas pranchas de madeira quando usou uma delas surfando na
Califórnia. Ele aprendeu os segredos e as técnicas da fabricação do produto em uma passagem pelos Estados Unidos, com
Gary Linden, famoso shaper norte-americano e
pioneiro no uso da madeira do agave para fabricar pranchas de surfe.
Linden descobriu que a madeira do pendão floral que o agave produz para se reproduzir tem a
densidade e a resistência ideal para a fabricação de pranchas que teriam desempenho comparável ao das tradicionais.
Quando Ulyssea voltou, viu que o Brasil tem um
imenso potencial para a produção das pranchas. O país é o
maior produtor mundial de agave — que é usado na produção de sisal — e a planta se tornou uma
praga para alguns ecossistemas, tais como dunas e restingas, aonde ela se espalha e
toma o lugar da vegetação nativa.
A madeira seca é recolhida depois que a planta morre e com elas são feitas tábuas que vão sendo encaixadas uma ao lado da outra. Após o bloco ficar pronto, ele vai para o acabamento em alguma loja especializada.
Quando finalizada, lembra as pranchas surfe antigas, usadas por surfistas no Havaí. A cor, por exemplo, permanece natural.
A prancha de agave foi testada e aprovada por surfistas ilustres. Teco Padaratz acha que a iniciativa vale a pena, pois sabe que as tradicionais são muito poluentes. Preocupado com a neutralização de emissão de carbono, ele ainda aponta outro detalhe: a questão que a prancha vai durar bastante tempo:“Mesmo não sendo leve, nem tendo um shape específico para o meu corpo, o desempenho é muito bom. Ela faz as manobras perfeitamente. Eu acho que essa iniciativa vale muito pena”, disse o bicampeão mundial de surfe profissional, em entrevista ao Esporte Espetacular.
Fonte: http://style.greenvana.com/2011/surfistas-aprovam-prancha-feita-deagave/