sábado, 16 de junho de 2018

Talheres & Cia.

Arte em talheres
Muita criatividade e beleza!
De simples à elaborados são todos incríveis.






segunda-feira, 9 de abril de 2018

Vida dentro da morte

A planta do Lanterna Japonesa, também conhecida como lanterna chinesa ou cereja de inverno, é um símbolo popular da "vida dentro da morte". 
Ela floresce no inverno, mas quando seca na primavera, a "pele" desmorona, revelando a fruta vermelha que vive dentro de seu 'esqueleto'. 
As sementes também são usadas como oferendas para guiar as almas dos mortos.


sexta-feira, 6 de abril de 2018

Nadando contra a corrente



Maria Lúcia era muito esforçada, desde jovem mostrou disposição e inteligência. Um dia, surgiu uma oportunidade rara de ascensão profissional e ela engoliu o acanhamento, pedindo a um colega sua indicação. Conseguiu a colocação almejada. Por anos sentiu que aquela empresa era sua segunda família, as referências e idéias eram muito similares. Mas após mais de uma década, muito coisa mudou. Percebeu com desgosto o quanto! Constrangida se viu obrigada a se afastar de alguns e houve até quem lhe acusasse de ingratidão. Sequer podia dizer a razão. Tempos atrás descobrira que naquela empresa, os executivos de alto escalão desviavam recursos, empregavam gente desnecessária, sonegavam impostos, falsificam notas e muito mais. Maior absurdo foi saber que, alguns de seus colegas sabiam e nada de mal viam naquilo tudo, inclusive consideravam coisa normal do "jeitinho" brasileiro. Disfarçou o choque e concluiu: Estes já estão usufruindo do "esquema"!
O tempo passou, até que chegou uma auditoria solicitada pelos sócios. Aquilo foi como um raio caindo e eletrocutando uma boiada! O buchicho corria pelas salas e ante salas. Qualquer olhar perdido era visto com suspeita, conversas particulares estouravam o desconfiômetro de todos. Chamaram a Maria Lúcia pra uma dessas, onde foi indagada sobre seu superior. Fez elogios ao mesmo, reconheceu o quanto lhe devia pela oportunidade profissional lhe dada a anos, contudo... era inegável sua desclassificação executiva. Os auditores lhe pediram uma nota para essa desclassificação, deu-lhe 10. Depois voltou as suas atividades debaixo de olhares tortos dos que passavam por ela. Ficou claro que a sua segunda família já a execrara. Em poucos dias a auditoria rendeu até prisões. Maria Lúcia ficou meses recebendo bilhetinhos anônimos nada amigáveis, mas era profissional e tinha um contrato recém renovado a cumprir. De experiência, ganhou a certeza que empresa não é família.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Ateísmo e confiança

Um ranking que sempre circula na internet e em revistas e no qual a Noruega figura no topo além dos de país com maior IDH do mundo, país mais próspero do mundo, país mais democrático e vários outros tem um tom mais polêmico. É que a Noruega é considerada um dos países mais ateus do mundo (ou com população atéia). Pesquisas de institutos europeus vão além e mostram análises que provam que países ateus seriam mais pacíficos. Mas na Noruega existe um valor que está a cima de tudo isso e é muito forte: a confiança. A vida não funciona entre os noruegueses na base da desconfiança e sim da confiança e da palavra. O ônibus está ali, o usuário entra e sai sem pagar dentro, se ele tem o passe é uma questão de como ele compreende que esse sistema deve atender a todos e que se uns quebrarem esse pacto não funcionará mais, inclusive para ele. O mesmo para pertences esquecidos, bolsas deixadas sem ninguém olhando enquanto você vai ao banheiro no bar, o sistema político, os relacionamentos, as relações profissionais. A confiança tem um sentido muito forte e pode ser bem difícil de ser compreendida em um primeiro momento por alguém de fora. De qualquer forma, com muitos problemas e defeitos como qualquer país, a Noruega é conhecida em rodas de conversa como o socialismo real que deu certo em um país capitalista. A fórmula mais improvável do mundo atrai pesquisadores e estudiosos de todos os lugares que buscam entender qual o segredo desse país que foi o que menos sofreu com a crise financeira que abala o mundo nos últimos anos. Mas se você perguntar a um norueguês ele provavelmente lhe dirá com toda calma e aquele olhar sem surpresa típico: nós temos crença mesmo é uns nos outros e acreditamos na sua palavra. Se você duvida, esqueça sua bolsa em cima do balcão um bar na Noruega e volte duas horas depois. A jornalista que assina essa matéria encontrou tudo intacto no mesmo lugar, com o bar cheio de gente em um sábado à noite.
Lígia Krás é antropóloga e trendhunter, especialista em inovação cultural nórdica